A superintendência de Atenção Integral à Saúde (SAIS) confirmou em reunião realizada na manhã desta terça-feira (05), a desativação do centro cirúrgico do Hospital Estadual Octávio Mangabeira (HEOM).
Preocupado com a situação da unidade, funcionários e pacientes, o vereador Euvaldo Jorge (PPS) vem se manifestando constantemente cobrando do governo estadual explicações sobre o fechamento do equipamento de referência em doenças pneumológicas na Bahia. “Já fiz um requerimento formal cobrando a presença do secretário Fábio Vilas-Boas na Câmara para fazer os devidos esclarecimentos sobre o Octávio Mangabeira. Semana passada ele me procurou para dizer que o hospital não vai fechar. Mas temos notícias de que o centro cirúrgico deixará de operar, causando um vazio assistencial. Se a cirurgia torácica sair do hospital, esse procedimento vai desaparecer do SUS na Bahia”, afirmou o parlamentar.
Com o fechamento do centro cirúrgico, a superintendência sugeriu que os procedimentos passem a ser realizados nos centros cirúrgicos de outros hospitais, tais como o Ana Nery e o Ernesto Simões. Já o conjunto de funcionários do Octávio Mangabeira questionou, alegavam que não foram observadas as necessidades de atendimento à população e que com a saída da cirurgia torácica do hospital, esse procedimento pode desaparecer do SUS na Bahia.
Despedindo-se do cargo de diretor do HEOM, contra a vontade do corpo médico, Leandro Lobo afirmou que toda administração tem prazo de validade enfatizando sua posição quanto a medida adotada pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia. “Eu acho que a SESAB precisa avaliar com muito cuidado o que pode ser feito em relação ao Octávio Mangabeira”, disse.
Para Guilherme Montal, atual presidente da Sociedade de Pneumologia da Bahia e médico do HEOM há 30 anos, que também participou da reunião nesta manhã, caso seja concretizado o planejamento da gestão estadual em tornar o Octávio Mangabeira e o Ernesto Simões em um complexo único acarretará prejuízos aos pacientes assistidos. “O perfil desse hospital e a vocação do mesmo devem ser preservados. Se você traz a administração do Ernesto Simões, ou de qualquer lugar para o HEOM, já é uma união diluidora no entendimento de todos os médicos. Foi isso que me preocupou. Se essa é a intenção, digo que não é uma luta contra a sociedade de pneumologia, nem o CREMEB, tampouco contra o sindicato ou a mídia. A população baiana será a maior prejudicada”, afirmou Montal, sendo aplaudido de pé pelos funcionários do HEOM.
A decisão da SESAB espalha “terror” entre os colaboradores e pacientes que já aguardam por cirurgias há anos, já que irá provocar um vazio assistencial na área de cirurgia torácica em todo estado. “São cem consultas por dia somente para cirurgias torácicas que vão deixar de ser feitas, além de atendimentos à pacientes oncológicos respiratórios. É preciso que os órgãos competentes possam intervir para que não haja a desassistência ao cidadão que necessita do tratamento” finalizou Euvaldo Jorge.


